3 de fevereiro de 2010

Grammys 2010


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Não é todos os anos que a indústria musical (no caso, a americana) distribui prémios e fá-lo tão acertadamente. Os bons ganharam desta vez: Beyoncé, Taylor Swift, Lady Gaga, Jay-Z, The Black Eyed Peas, Kings of Leon (os KoL do último álbum, não os do trad-rock do passado). E a performance acima estampada é uma coisa rara na pop - Prince deve ter gostado de ver.

10 comentários:

Beep Beep disse...

As novas músicas dos KOL não deixaram de ser trad, apesar de terem um lustro mais épico-80s.

Ricardo Rainho disse...

Quando passar de trad-rock cinzentão para um cruzamento Coldplay/U2/Nickelback lite é considerado boa evolução, eu questiono-me se os padrões mínimos de exigência não andarão a decair consideravelmente.
E quanto à falsa-sonsa da Taylor Swift, quanto menos se disser, melhor. O resto vai do realmente bom ao "é-me igual ao litro".

Jorge Manuel Lopes disse...

Com o lustro 80s já se percebe que, afinal, eles sabem escrever canções. E antes mil vezes o lustro flash-cool 80s do que o rock ganzado/ mal lavado. Sempre é um valente pulo na escala evolutiva.

Não estou bem a ver a ligação dos KoL aos Coldplay, nem conheço os Nickelback por aí além (e do que conheço não sobra vontade para conhecer mais). Mesmo o paralelismo com os U2 (fase 80s) parece-me muito ténue. Eu ouço os KoL do último disco na mesma frequência de onda da pop-rock plástica e de impacto máximo, variante americana, dos Killers. O que, para mim, é bom, evidentemente.

Beep Beep disse...

Eu não vejo nada a ver com Killers. Enquanto a esses associo uma atitude "reach for the stars", cheia de glamour, sintetizadores e melodias de foguetão em voo vertical, os KoL actuais para mim estão no mesmo campeonato que os "rockeiros sensíveis" dos 80s, a la Bryan Adams.

De qualquer modo acho bastante curiosa essa postura tão anti-trad numa coisas e pró noutras. Afinal poucos géneros são tão retro e anti-evolução como a country mainstream.

Jorge Manuel Lopes disse...

É uma boa pergunta, que também me faço váriso vezes... Sei lá, acho que, em 2010, há 1 diferença fundamental entre esgravatar num género profundamente limitado e muito gasto (o [trad] rock) e aperfeiçoar e/ou tentar inovar a partir do interior de um microgénero com regras muito definidas(o country, ou o thrash metal, ou o r&b). Pelo menos aos meus ouvidos, um género com regras muito definidas não é sinónimo de um género limitado - bem pelo contrário.

Ouço muito pouco country (e é claro que prefiro o country mais pop e country mainstream ao "alternativo") mas parece-me 1 território bastante bem servido de compositores e intérpretes.

Beep Beep disse...

Eu não chamaria "micro-género" ao country, nem ao r&b. Por outro lado, tb não acho q este último tenha regras num campeonato pós-Timbaland, daí o mainstream poder receber OVNIs tipo The-Dream. Coisa que uma Taylor Swift não é.

Jorge Manuel Lopes disse...

Aí discordo por completo: o r&b tem regras. Regras no sentido de ter uma identidade sonora clara e facilmente identificável. Ouves um tema qualquer do The-Dream e nunca confundirias aquilo com tecno minimal, ou com country, ou com os XX - aquilo é r&b.

Aliás, a grande vantagem de géneros como o r&b é que não albergam ovnis - quem é bom e deseja ter uma marca própria e/ou inovar acaba por fazê-lo no seio do próprio género. (Na verdade, nem sequer acho relevante quão "inovadores" são ou deixam de ser, por exemplo, o The-Dream ou a Taylor Swift.)

O problema dos ovnis é que a suposta gracinha que possam ter esgota-se no facto de pretenderem ser isso mesmo: um corpo estranho num sistema. Ovnis desses são das definições mais claras de reaccionarismo. Os últimos 25 anos de cultura indie são um bom exemplo disso: milhares de outsiders juntos já não são um corpo estranho num sistema. São uma nova ortodoxia de patetas (salvo as 34 honrosas excepções)que vivem na ilusão de serem alternativa a alguma coisa.

É por essas e por outras que a minha vasta colecção de discos do Tom "disco riscado" Waits está a caminho de uma loja de discos em 2ª mão... :-)))

Beep Beep disse...

Eh pá, se estás a chamar "indie" ao Tom Waits então vamos ter problemas! Sérios!

Agora se é por "identidades claras", então isso é válido para qualquer nome de género englobador. Rock, pop, r&b, hip-hop, indie, noise, etc. Para qualquer um eu posso ouvir as coisas mais díspares e dizer "Isto é..." Sendo assim vou mais a outros factores para os distinguir e seleccionar. Ou então sinto que corro o risco de cair numa de "Isto não é TRUE METAL!"

Jorge Manuel Lopes disse...

Quando falo em identidade clara, não estou na falar em purismo. Acho perfeitamente plausível que uma identidade tenha contornos em definidos sem estar limitada a horizontes fossilizados. Lá porque o rock ou o indie estão, isso não quer dizer que os outros sofram de idêntico mal.

Olhei para os meus discos do Tom Waits, tentei lembrar-me da última vez que ouvi algum deles do princípio ao fim (foi num tempo em que ainda não havia euros e quase ninguém tinha telemóvel), perguntei-me quando tencionava escutá-los de novo (tipo, nunca?)e... andor para o saco. Todos. Mesmo aqueles que ainda imagino estimar - i.e. praí até ao Rain Dogs.

Beep Beep disse...

É curioso que o género sem contornos seja precisamente o fossilizado. É pescadinha de rabo na boca.