13 de janeiro de 2016

Heidi



Heidi
De Alain Gsponer
Alemanha/Suíça, 106 minutos, ver listas
2/5 

De longe, o problema principal desta adaptação cinematográfica da história da miúda dos Alpes e do avô, escrita por Johanna Spyri e revelada em 1880, é um problema de Portugal. A versão que cá chega é dobrada, opção tola e redutora mesmo quando bem-feita e no universo abstracto da animação. Esta Heidi é de seres humanos, a produção é alemã e suíça, o cenário da narrativa também, o elenco central idem aspas. Mas o que cá se ouve é português de Lisboa, em que Heidi pergunta pelo “chóriço” e Clara, a amiga em cadeira de rodas cuja família abastada de Frankfurt compra Heidi para lhe fazer companhia, terá uma inusitada costela do Parque das Nações.
Uma pena, já que por trás do ruído linguístico absurdo está uma obra bem decente; sem choraminguice; com um elenco de miúdos desempoeirados (Anuk Steffen, a protagonista) e veteranos virtuosos (Bruno Ganz, o avô monossilábico de Heidi); servida por uma fotografia que tanto explora as belíssimas cores e texturas dos Alpes como tira partido da formidável minúcia na recriação de interiores e exteriores de uma Frankfurt pós-Revolução Industrial; e que só perde pontos na banda sonora orquestral intrusiva do costume e na gestão da narrativa – um terço final mais conciso teria feito maravilhas.

(Publicado em Janeiro de 2016 na Time Out Lisboa.)

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