7 de janeiro de 2016

Anacleto: Agente Secreto


Anacleto: Agente Secreto
De Javier Ruiz Caldera
Espanha, 87 minutos
2/5

Este filme de espiões em regime hereditário tem qualquer coisa de Quentin Tarantino no gozo quase infantil como brinca com códigos de género cinematográficos e na forma casual como introduz pormenores de violência extrema. E também tem algo do Pedro Almodóvar dos diálogos de elevado ritmo e no humor que, tal como a violência, sai quase como quem respira, além de pelo menos dois actores emblemáticos do realizador de Saltos Altos, Rossy de Palma e Carlos Areces.

Areces é Vázques, criminoso em fuga, obcecado com a eliminação de Anacleto (Imanol Arias), o agente veterano que o despachou para 30 anos de prisão. Já de Palma aparece fugazmente na pele de informadora de Vázquez e mãe de Katia (Alexandra Jiménez), a médica que está fartinha da relação com Adolfo (Quim Gutiérrez). Adolfo é uma mosca morta, vigilante nocturno e adepto de vegetar no sofá e achar que o mundo lhe deve uma vida. Mas Adolfo também é o filho de Anacleto e, quando a situação o exige, o inconsciente vem à tona e descobre-se ali um outro agente secreto, os reflexos treinados pelo pai na infância. Em que resulta tudo isto? Num preparado engraçadinho, negligenciável, que Espanha deve cozinhar às paletes diárias.

(Publicado em Dezembro de 2015 na Time Out Lisboa.)

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