15 de dezembro de 2010

The Bloody Beetroots

Publicado na Time Out em Junho de 2010:


The Bloody Beetroots
Teatro Sá da Bandeira
Quinta-feira 8

Porque é que alguém havia de fazer música sob o nome artístico de Beterrabas Sangrentas? Respostas possíveis: porque Bobby Rifo e Tommy Tea vêm de Itália, um país que gosta genuinamente de Silvio Berlusconi; e porque Bobby e Tommy juntam forças para criar electro house maximal, um género que, pese os seus inúmeros defeitos, não é exactamente conhecido pela contenção, discrição e “bom gosto” refinado.

O electro house maximal é garrido, barato, barulhento, rápido q.b., e toma sempre o caminho mais curto para chegar ao corpo e à alma do ouvinte – é para coisas assim que os ingleses usam a expressão in your face. A estas características, os Bloody Beetroots acrescentam uma queda para o dramatismo melódico e um sentido esforço para que cada pedaço de som tenha contornos muito precisamente definidos. O que daqui resulta é, por vezes, como uma trilha sonora para desenhos animados sádicos.

Bobby e Tommy viram sair no ano passado o primeiro álbum, Romborama, e se o leitor for capaz de transpor a violência gratuita e francamente imbecil da capa, tem à disposição um cativante e frenético conjunto de faixas. Dito isto, deve ser ao vivo que todo este programa será mais bem absorvido. Para a digressão que os traz ao Sá da Bandeira eles ampliaram o nome para The Bloody Beetroots Death Crew 77 (os marotos…) e juntaram um baterista ao pacote. Esta é também a derradeira noite Clash Club antes da pausa para férias, e o programa anuncia ainda DJ sets de Double Damage, Cpt. Luvlace e Crisis. O alarme vai soar. De certeza.

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