31 de maio de 2010

Sonic Youth

(publicado na Time Out Porto de Abril)


Sonic Youth
Coliseu, Terça-feira 23

Ironizar com uma banda que ostenta o nome de Juventude Sónica apesar de já existir há 29 anos e de os seus elementos mais novos estarem quase nos 50 é uma coisa forçada e sem grande sentido – a frescura estética está longe de se medir apenas pela longevidade. Mas não se pode dizer que os Sonic Youth não se tenham posto a jeito para esse tipo de brincadeiras. O prestígio em que o grupo de Thurston Moore e Kim Gordon repousa baseia-se em supostas virtudes (padrinhos da contracultura indie, mestres a moldar o ruído de guitarras em estruturas que oscilam entre a vanguarda contemporânea e o punk-rock) que só têm mesmo eficácia enquanto movimentos marginais de reacção a uma cultura mainstream. O que fazer, então, quando parece que já não há mais ideias novas para explorar e décadas pela frente até ter direito ao cheque da reforma? Se forem uns Rolling Stones, há a hipótese de ir refinando um formato clássico de música popular, que as pérolas lá hão-de aparecer com alguma regularidade. Mas no caso dos Sonic Youth, o propósito parece ter-se esgotado quando se transformaram num establishment paralelo. O período arty até 1988 tem méritos, as aproximações ao mainstream em Goo e Dirty (1990 e 92) também, mas daí em diante sobra uma banda que anda aos círculos pelas suas zonas de conforto, maçadores e com o ar de frete regulamentar. Nada que aflija a sua legião de fãs, que não deverá perder a oportunidade de vê-los de novo em palcos nacionais, o álbum The Eternal ainda fresco na memória.

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