11 de novembro de 2009

Time Out 111

Depeche Mode

Bass Clef
ZdB – Galeria Zé dos Bois
Sexta-feira, ver listas

Music Box
Sábado, ver listas

De quinta a domingo decorre o UM 2009 – Festival Internacional de Intermedia Experimental. A segunda edição deste evento gira em torno do conceito de paisagem e abraça arte que aproveita inovações tecnológicas e científicas. Há uma exposição (no armazém ECV Fiat em Santos, onde ficará até 27 deste mês; a inauguração, amanhã às 22.00, tem música ao vivo por Rafael Toral e o Staalplaat Sound System), workshops e debates (ambos na Faculdade de Belas Artes), concertos e performances. O site do festival (www.1um1.net) fornece mais pormenores.

O departamento musical tem em primeiro plano Bass Clef, produtor de Bristol que usa o dubstep como ponto de partida. É certo que há um certo tom nerdy em algum do seu material que traz memórias pouco agradáveis do IDM (intelligent dance music – o nome é todo um programa de que apetece manter distância) e da electrónica caseira, epiléptica e com défice de concentração de Kid 606, mas o que dele se vê e escuta na net deixam suspeitar que Bass Clef leva o factor corporal do dubstep em consideração. Haja esperança – e curiosidade.

Na primeira de duas actuações na capital, Clef integra o programa do concerto/ festa/ duelo estético QuWack, “uma performance contínua e não ensaiada, feita de actos múltiplos utilizando um cenário feito de dois palcos onde outros tantos músicos tocam à vez, com o público no centro da acção” (palavras da organização). Completam o cartaz internacional Infinite Livez, DJ Sniff, Team Brick, Katapulto, Alfredo Carajillo, Tiago Morna, Gabriel Ferrandini e Whit. Na noite de sábado, Clef lança-se num live act a solo no Music Box, precedido pelos DJs Mr. Gasparov e Andre Wakko.


Nelly Furtado
Mi Plan
Universal

A culpa de Mi Plan ser um disco meio falhado não está, nem por sombras, na opção de Nelly Furtado em cantar os 11 temas em espanhol. Bem pelo contrário: qualquer esforço para aliviar a esmagadora pressão anglófona sobre a cultura popular é, por regra, uma coisa louvável. E neste momento, o mundo hispânico é quem tem mais peso demográfico e riqueza estética para agitar os pratos da balança – Shakira e Paulina Rubio são dois exemplos com lançamentos recentes. Sucede que, pela escrita e pelos arranjos, aproximadamente metade de Mi Plan roça o repertório bolorento de estação radiofónica para quarentões, algures em 1991. Nesse sentido, o esplendor pop dos singles “Manos al Aire” e “Más” é algo enganador: há mais desse brilho plástico em Mi Plan, mas encontrá-lo exige uma gincana auditiva.


GusGus
24/7
Kompakt/Flur

Para o sétimo álbum, os islandeses GusGus aliam-se à editora mais marcante da música de dança desta década, a germânica Kompakt. O resultado é um passo fascinante no progressivo descarnar humano e sonoro do colectivo. Da dúzia de membros que fundou os GusGus sobra um trio, e o que esse trio concretiza em 24/7 é pouco mais do que uma sucessão de demoradas e austeras variações a negro sobre batidas mecânicas (não especialmente velozes) e parcos efeitos sonoros cósmicos. Numa audição às escuras, as longas planícies citadinas instrumentais de 24/7 passariam por um disco dos Underworld. Quando há vozes à mistura ganham-se impossíveis canções tecno-pop a rondar os dez minutos. Os GusGus revelam-se mestres na arte do build up sensorial, incontornável na música de dança, e o cume atinge-se em “Bremen Cowboy”. É transe do melhor.

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