17 de abril de 2006

Mixmag, Dummy, Plan B

> A Mixmag foi há poucos meses comprada à Emap (empresa grande) pela Development Hell (empresa pequena). Até esta compra, a única publicação da DH era a Word, que serve o mesmo público quarentão da MojoUncutClassicRockRecordCollector, embora com uma dieta extra-musical bastante alargada (e que, tanto quanto sei, não se encontra nos quiosques portugueses). A Word começou por baixo, em relativo low-profile, mas o percurso dos criadores da publicação e da DH (na sua maioria saídos da Emap, alguns associados ao nascimento de revistas como a Smash Hits, Q e Mojo) deixava claro que a coisa era para ir ganhando fôlego, amplitude, influência, vendas, por aí fora. As vendas da Word vâo subindo (parece que andam pelos 30 e poucos mil), e a empresa achou-se com arcaboiço para coprar a Mixmag à Emap. A Mixmag vinha aos trambolhões pelo mesmo caminho descendente de antigas competidoras já falecidas do mesmo ramo da música para dançar como a Muzik, Jockey Slut, Seven e Ministry. Como era a mais forte, tem tido lastro para aguentar a queda - noutros tempos vendia cento e tal mil, agora vai nos quarenta e picos. Antes que a Emap a desligasse da corrente, os pais da Mixmag-agora-ao-leme-da-DH compraram-na, estão a dar-lhe uma volta que tem ar de ser radical e num sentido que permite ter esperanças de sair coisa de jeito. O primeiro número da nova encarnação sai na quinta-feira 20.

> Saiu no Reino Unido o primeiro número da Dummy. Tem várias pessoas e parte do «espírito» da Jockey Slut. Pelo site dá para perceber que fala de coisas de que vale a pena falar (e ouvir), e que tem um grafismo absolutamente fabuloso. Também dá para recear que os textos tendam para o insignificante, o que, a ser verdade, a remeteria para o cesto do lixo das publicações cheias de gente cheia de atenção à pulsação da coisa musical e cheias de páginas cheias de merda nenhuma (por contraste positivo, atente-se, no link da notícia Mixmag no parágrafo acima, à estratégia da DH que passa por devolver a influência e a capacidade da revista fidelizar público, recorrendo a menos textos, mas a textos mais longos). Mas quero e quero e quero e quero mesmo estar enganado.

> A Plan B não é revista de música de dança. Começou e ainda é um fanzine bimestral de luxo. Também começou por baixo, pelas raízes, pelos 24 que vivem para a música e para a expressão artística e daí foi calmamente conquistando leitores pela clareza de intenções, acrescentando gente aos 24 que vivem para a música em vez de substituir os 24 que vivem para a música por 240000 consumidores de brindes colados a revistas. Conquistando influência, conquistando fidelidade, conquistando identidade. Pode nunca chegar aos 240000, mas já assegurou o volume de leitores (eu incluído) e de publicidade suficientes para acharem que, dois anos e tal depois, já se justifica passar a revista mensal (e começar a pagar aos colaboradores...).

Estão a tomar notas?

2 comentários:

l_l disse...

Adorei o Artigo dos Streets à uns blitz atrás(e o do Pharrel tb tava muito nice!)Para quando novidades sobre o novo formato nos (leitores tamos ansiosos por novidades!).
N percam o espirito indie??(diferente do resto!)a malta curte o blitz por isso!
Abraço!Bom Blog!

Jorge Manuel Lopes disse...

Obrigado pela preferência!
Sobre o futuro Blitz, imagino que possa haver novidades na derradeira edição em jornal de segunda-feira, mas não tenho a certeza. Não há muito que te possa dizer sobre o que aí vem em Junho/ Julho pois não faço parte da equipa do futuro Blitz