2 de fevereiro de 2006

Pop Zombificada

Este extraordinário texto de Mark «K-Punk» Fisher é daqueles tão deprimentemente certeiros que dei por mim a ter que parar a cada frase para gritar para dentro em aprovação, meio em desespero pelo estado muribundo (e, se calhar, irrecuperável)da Pop, meio em exultação por alguém articular, com uma clareza exemplar, praí 95% do que também penso sobre o assunto. Frase-teaser: «So, please, no consumerist homilies about the fact that 'it is always possible to find good records, no matter what the year.' Yes, of course it is, but as soon as Pop is reduced to good records it really is all over. When Pop can no longer muster a nihilation of the World, a nihilation of the Possible, then it will only be the ghosts that are worthy of our time». E se não se sentirem remotamente impelidos a ler o resto, então não faço ideia porque vieram parar a este blog.

5 comentários:

Beep Beep disse...

O texto é muito bom, e percebo as preocupações dele, mas ficam várias dúvida.

O facto de algumas "esperanças" como a New Pop (o Reynolds também fala do "Rockism" na lista da Village Voice no seu último post) terem falhado em retirar do trono o James Blunt e o Jack Johnson, significará que é necessário procurar uma alternativa mais antagonista?

As bandas de indie hoje gostam de R&B e hip-hop. Mas também as bandas "agressivas" que ele refere defendiam a inclusão e a audição de outros estilos mais negros. O problema é ser apenas um cesto de audição que não se mistura? Ele quer algo que desafie? Quer antagonismo? Disputas acérrimas entre fãs de um lado e de outro? Pop entendido como um campo incluindo o indie mais trad/retro? Porque rejeita ele como "ghastly" a sugestão do Reynolds de incluír o grime com o indie? Prefere ele que o grime ganhe mais espaço primeiro? Falta um pouco mais de sugestões sobre géneros actuais que possam ter essa hipótese. Espera o Mark que lhe caiam no colo?

Jorge Manuel Lopes disse...

Nuno, ele menciona a nova Nova Pop e a extrordinária Ghost Box como sugestões (a primeira de confronto no terreno aberto da cultura Pop, a segunda porventura mais como refúgio). Na minha opinião, ele poderá torcer o nariz ao híbrido grime + indie porque cheira um bocado a métodos velhos (Madchester...), e a Cultura Pop necessitaria de outro tipo de tratamento de choque (e de aplicar esse tratamento na sociedade) para ser mais do que a gentil e inofensiva e assumidamente compartimentada (no mainstream/ na indielandia/ no espaço urban) gestão de carreiras.

Beep Beep disse...

Sim. Mas aí entra um problema que todos nós, que escrevemos (uns mais do que outros) sobre música passamos...

Uma coisa é desejar que algo aconteça. Outra é acertar no que vai conseguir ser esse algo. Ou mesmo imaginá-lo.

Não acho que um híbrido com o grime fosse mau. Tinha é que partir de alguém com mentalidade P.I.L. e não Starsailor.

Jorge Manuel Lopes disse...

Tendo em conta a natureza urbana/capitalista-mas-underground do grime, dificilmente esse híbrido seria numa modalidade pastelão-burguês Starsailor. Mas, com a rapidez e a elasticidade camaleónica da cultura pop britânica, nunca se sabe...

Beep Beep disse...

Temos resposta da boa do Reynolds.